Leituras da Bússola · Congresso

O Congresso de 2027 no mapa político

Na mesma régua, a Câmara que toma posse em fevereiro fica perto da atual. O Senado, que renovou dois terços das cadeiras, se desloca para a direita e para o lado conservador.

6 de outubro de 2026 · leitura de 7 minutos

Em 4 de outubro, o Brasil escolheu 513 deputados federais e 54 senadores, que tomam posse em fevereiro de 2027. A pergunta é simples: o Congresso que começa em 2027 fica em outro lugar do mapa político? Para responder, colocamos a composição de hoje e a dos eleitos lado a lado, com os mesmos partidos na mesma posição. A única coisa que muda entre um mapa e outro é o número de cadeiras de cada partido.

Dois mapas políticos da Câmara dos Deputados lado a lado, hoje e a partir de 2027, com cada partido como um círculo do tamanho da bancada e a sigla ao lado, mais uma tabela com as cadeiras de cada partido. O PL cresce de 98 para 121 deputados. A posição média vai de economia +0,4 e costumes 0,0 para economia +0,8 e costumes +0,3.
Câmara dos Deputados: bancadas em exercício em outubro de 2026 e bancadas eleitas para 2027. O ponto vermelho é a posição média; o círculo vazado, a média de hoje.

O que o dado mostra: Câmara

Na Câmara, a posição média vai de +0,4 para +0,8 na economia e de 0,0 para +0,3 nos costumes, numa escala de −10 a +10. É um deslocamento pequeno. A divisão das cadeiras quase não muda. Nas faixas da régua, hoje a Câmara tem 24% das cadeiras na esquerda, 18% no centro e 58% na direita; em 2027, serão 24%, 17% e 59%. No eixo de costumes, o lado conservador passa de 58% para 59%.

A maior mudança é o crescimento do PL, de 98 para 121 deputados (+23). Na outra ponta do mapa, o PT também cresce, de 65 para 70. As perdas se espalham pelo meio: PSDB e União perdem 6 cadeiras cada, PP e PSD perdem 5. Como o crescimento acontece nas duas pontas e as perdas no centro, a média anda pouco.

Dois mapas políticos do Senado lado a lado, hoje e a partir de 2027. O PL cresce de 15 para 28 senadores e o PSD cai de 14 para 5. A posição média vai de economia +0,1 e costumes +0,1 para economia +2,3 e costumes +1,7.
Senado Federal: composição em exercício em outubro de 2026 (80 senadores com partido) e composição a partir de 2027 (80 das 81 cadeiras identificadas).

Por que o Senado mudou mais que a Câmara? Mais abaixo estão as leituras possíveis.

O que o dado mostra: Senado

No Senado, a mudança é bem maior. Hoje, a posição média está muito perto do zero: +0,1 na economia e +0,1 nos costumes, com 21% das cadeiras na esquerda, 30% no centro e 49% na direita. A partir de 2027, a média vai para +2,3 na economia e +1,7 nos costumes; a esquerda fica com 18%, o centro cai para 18% e a direita sobe para 65%. O lado conservador, nos costumes, sobe de 49% para 65%.

Dois movimentos explicam quase tudo: o PL passa de 15 para 28 senadores (+13), e o PSD, de 14 para 5 (−9). O PT fica com os mesmos 9.

O Congresso e o próximo governo

De 2023 a 2026, o governo foi exercido pelo PT, à esquerda no mapa. Nas votações da Câmara desse período, seis partidos do meio do mapa — PSD, MDB, União, PP, Republicanos e Podemos — votaram, na mediana dos seus deputados, mais perto do governo do que da oposição. Os estudos sobre o Congresso descrevem esse padrão há décadas, com o nome de presidencialismo de coalizão: boa parte dessas legendas compõe a base de quem estiver no Planalto.

Quem vencer em 25 de outubro vai governar com o Congresso eleito agora. Na Câmara, os seis partidos do meio terão 234 das 513 cadeiras; o campo à esquerda (PT, PSOL, PCdoB, PV, PSB, PDT e Rede) terá 124, e o de PL, Novo e Missão, 132 (as outras 23 ficam com PSDB, PRD, Avante e Solidariedade). Para aprovar um projeto de lei é preciso maioria dos presentes; para uma emenda à Constituição, 308 votos. No Senado, os seis partidos do meio terão 32 das 81 cadeiras; o campo de PL e Novo, 31; o campo à esquerda, 15 (o PSDB tem 2, e uma cadeira não foi identificada). Para emenda constitucional, são necessários 49 senadores.

Ou seja: nenhum dos dois polos governa sozinho em nenhuma das Casas, e os dois dependerão dos partidos do meio. A diferença está no ponto de partida de cada um, que os números acima mostram — e que cada eleitor pode pesar como achar melhor.

Como chegamos a ele

Cada partido tem uma posição em dois eixos, economia (do Estado ao mercado) e costumes (do progressista ao conservador), calculada pela Bússola só com dados oficiais da Câmara, do Senado e do TSE. A posição média de cada Casa é a média dos partidos, ponderada pelas cadeiras. Método completo na página Sobre; tabela aberta em regua-bussola-2026.csv.

O que o dado não mostra

As faixas esquerda, centro e direita seguem os cortes da régua da Bússola, calibrados pelo levantamento de especialistas, e são as mesmas usadas no site: MDB e PSD, por exemplo, ficam no centro. Esta é uma régua de partido, não do voto de cada parlamentar: dois deputados da mesma sigla aparecem no mesmo ponto, mesmo que votem diferente. Até a posse, e depois dela, eleitos podem trocar de partido. E posição no mapa não é previsão de votação: o plenário depende de cada projeto, da relação com o governo e das alianças de cada momento.

Leituras possíveis

Os números admitem mais de uma explicação. Uma leitura é que o resultado reflete uma preferência do eleitorado por candidatos mais à direita, mais visível no Senado porque a eleição para senador é majoritária: em cada estado, quem tem mais votos leva a vaga, o que amplia o efeito de quem vence. Outra leitura é que boa parte da mudança no Senado vem do calendário: dois terços das cadeiras foram renovados de uma vez, e muitas que mudaram de mãos estavam com partidos do meio do mapa. Uma terceira é que, na Câmara, a eleição proporcional distribui as cadeiras entre muitos partidos e amortece mudanças, o que ajuda a explicar por que a média quase não se moveu. Por fim, há quem leia a posição dos partidos do meio como mais ligada à relação com o governo de turno do que à ideologia; nesse caso, o deslocamento no mapa pesaria menos do que parece. Essas explicações não se excluem. A conclusão fica com você.

Para você

A partir de fevereiro, a Bússola vai mostrar como cada eleito vota, votação por votação. Enquanto isso, vale saber onde você está nesse mesmo mapa.

Onde você fica nesse mapa? São 48 afirmações, cerca de 8 minutos, sem cadastro.

Fazer o testeSeguir @bussoladovoto.br

Fontes

Publicado em 6 de outubro de 2026. Texto produzido com auxílio de IA, revisado e aprovado por George A. Alvares, que responde pelo conteúdo. Encontrou um erro ou quer exercer o direito de resposta? Escreva para [email protected].