A Bússola do Voto é um teste de espectro político cruzado com os candidatos registrados no TSE para as eleições de 2026. Você responde a 48 afirmações sobre o Brasil de hoje, em cerca de oito minutos, e a página mostra quais candidatos do seu estado ficam mais perto da sua posição — e quais ficam longe.
De uma conversa entre amigos sobre a dificuldade de escolher deputado. A gente costuma decidir presidente e governador com alguma informação, mas na hora do deputado estadual e federal — onde a maior parte das leis é de fato produzida — quase ninguém tem tempo de pesquisar centenas de nomes. O resultado é voto no santinho, no conhecido do conhecido, ou voto nulo. A brincadeira virou este projeto.
1. A sua posição. As 48 afirmações medem três eixos: economia, costumes e instituições. Metade é escrita "para cada lado", para neutralizar a tendência de concordar.
2. A posição de cada candidato. Não usamos autodeclaração. A posição do partido vem de métricas públicas de comportamento parlamentar. Quem já tem mandato é posicionado pelos próprios votos: votações nominais da Câmara desde 2023 e, em nove Assembleias estaduais, as votações do plenário local. Presidenciáveis e candidatos a governador de São Paulo têm o plano de governo registrado no TSE lido e pontuado nas mesmas 48 afirmações.
3. O cruzamento. A afinidade combina a distância entre a sua posição e a do candidato com o que você diz valer no seu voto: chance real de eleição, renovação ou experiência, trajetória, pautas, vínculo local, representatividade.
4. Onde entra a inteligência artificial. A ordenação é uma conta aberta, descrita por inteiro no método ao pé da página do teste. A IA entra na leitura e pontuação dos planos de governo, na análise de textos de propostas que você cole, e, se você pedir, na redação de um perfil dos finalistas a partir dos registros do TSE. Esses textos estão identificados como gerados por IA onde aparecem.
Na Câmara dos Deputados, PT e PL votaram do mesmo lado em mais de um terço das votações nominais desde 2023. Em sete das dez casas estaduais lidas, em mais de 80%.
Para posicionar cada parlamentar, o método precisa das votações em que os dois polos divergem — e, ao separar essas votações das demais, o que sobra é o retrato de um cotidiano legislativo muito mais consensual do que o debate público sugere. Os números abaixo são as votações nominais de plenário lidas para este projeto, de 2023 até setembro de 2026, e a fração delas em que as bancadas do PT e do PL ficaram em lados opostos.
| Casa | Votações nominais | PT × PL em lados opostos | Mesmo lado |
|---|---|---|---|
| Câmara dos Deputados | 1.109 | 706 | 36% |
| Assembleia de Goiás | 1.983 | 20 | 99% |
| Assembleia de Pernambuco | 281 | 8 | 97% |
| Assembleia do Paraná | 3.186 | 174 | 95% |
| Assembleia do Pará | 147 | 10 | 93% |
| Assembleia de Minas Gerais | 2.697 | 211 | 92% |
| Assembleia do Rio Grande do Sul | 683 | 112 | 84% |
| Assembleia de Santa Catarina | 193 | 30 | 84% |
| Câmara Legislativa do DF | 232 | 54 | 77% |
| Assembleia de São Paulo | 126 | 60 | 52% |
| Assembleia do Ceará | 58 | 36 | 38% |
Duas ressalvas honestas. Boa parte do que se vota em plenário é consensual por natureza (homenagens, datas comemorativas, matérias administrativas), e muitas casas votam o que é polêmico de forma simbólica, sem registro nominal, o que infla o consenso medido. E "votar junto" não significa pensar igual: significa que, naquela matéria, a divergência não foi grande o bastante para virar voto contrário. Ainda assim, a proporção é a mesma em casas governadas pela esquerda (Ceará, Pará), pela direita (Minas, Paraná, Santa Catarina) e pelo centro (Goiás, onde PT e PL fazem oposição juntos). A guerra que ocupa as redes é a exceção estatística. Esta página existe para mostrar o resto.
Em 11 dos 27 estados não foi possível saber como cada deputado estadual votou. Não por falta de tentativa: porque a casa não publica.
O voto nominal em plenário é ato público por natureza e a Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011, art. 8º) manda divulgá-lo de forma ativa, em formato aberto, sem que ninguém precise pedir. Na prática, cada Assembleia faz do seu jeito, e a diferença entre elas é o que decide se o eleitor consegue ou não fiscalizar quem elegeu. O quadro abaixo é o que encontramos em setembro de 2026, procurando em cada portal com o mesmo empenho.
| Grau de transparência | Casas | O que existe |
|---|---|---|
| Dado aberto | Câmara dos Deputados; Assembleia de Goiás | API pública com o voto de cada parlamentar em cada matéria. É o padrão que todas deveriam seguir. |
| Consultável | Pará, Ceará; Amazonas, Rondônia, Piauí, Paraíba | Página ou planilha por votação, com nome e partido. No Pará e no Ceará o volume permitiu posicionar os deputados; nas outras quatro as votações são quase todas consensuais. |
| Só em PDF | Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Distrito Federal | O voto existe, mas enterrado em Diário Oficial, ata ou "folha de votação" digitalizada, sessão por sessão. Foi preciso ler milhares de PDFs para recuperá-lo. Em Pernambuco, a casa é tão unânime que o dado recuperado não serviu. |
| Parcial | Rio Grande do Sul | Página por deputado e por ano, sem o partido e sem a lista por votação; foi preciso remontar cada votação a partir de 55 páginas individuais. |
| Quase nada | Acre, Tocantins | Poucas dezenas de votações registradas em quatro anos. |
| Sem registro nominal público | Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Alagoas, Mato Grosso, Roraima, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Amapá | Não encontramos, em nenhuma página pública, como cada deputado votou. No Rio, as notas taquigráficas registram só o total ("36 sim, 19 não"); na Bahia, as atas trazem apenas o resultado; no Maranhão o sistema é fechado por senha; no Amapá o portal estava em migração. Nos demais, nenhuma página de voto nominal foi localizada. |
Onde o voto não é público, o deputado estadual aparece aqui com a posição do partido — e o eleitor fica sem o instrumento mais básico de fiscalização, que é saber o que o seu representante fez com o mandato. Se você mora em um desses onze estados, esta talvez seja a informação mais importante desta página: a sua Assembleia escolheu não mostrar. Pedidos pela Lei de Acesso à Informação podem ser feitos por qualquer cidadão no portal de cada casa, e a resposta é obrigatória em até 20 dias, prorrogáveis por 10. Se você fizer um e receber os dados, mande para [email protected]: eles entram na ferramenta.
Não recomenda voto. Ela mostra afinidade e evidência com as fontes à vista; a escolha é de quem lê.
Não é pesquisa nem enquete eleitoral. Nenhum resultado individual é coletado, somado ou divulgado — as respostas não saem do seu aparelho, e por isso não existe nem seria possível publicar qualquer estatística de quem usou a ferramenta.
Não recebe recursos de campanha, não vende espaço e não tem publicidade. Nenhum candidato ou partido paga, patrocina ou revisa o que aparece aqui.
A página permite filtrar candidatos citados em grandes casos de corrupção, com régua explícita, fonte e a manifestação do citado em cada verbete. Menção em reportagem ou em relatório parlamentar não é acusação formal nem condenação, e quem foi absolvido aparece com essa informação. O padrão é mostrar todos com o aviso: excluir é escolha de quem lê.
A Bússola do Voto não indica em quem votar. Ela mostra quais candidatos do seu estado ficam mais perto das suas respostas às 48 afirmações. Para quem já tem mandato, a posição vem de como a pessoa votou no plenário; para quem não tem, da posição do partido. A partir daí, vale abrir a ficha do candidato no DivulgaCand, do TSE, e conferir trajetória e propostas.
O deputado estadual atua na Assembleia Legislativa: faz as leis do estado, vota o orçamento estadual e fiscaliza o governador. O deputado federal atua na Câmara dos Deputados, em Brasília: vota as leis nacionais, o orçamento da União e emendas à Constituição. Os dois são eleitos pelo sistema proporcional, em que o voto conta primeiro para o partido ou federação e depois para o candidato.
Seis: deputado federal, deputado estadual (ou distrital, no DF), dois senadores, governador e presidente. Em 2026 são renovadas duas das três vagas de cada estado no Senado, por isso são dois votos para senador.
Na Câmara dos Deputados, o voto de cada parlamentar é público no portal e nos Dados Abertos da Câmara. Nas Assembleias estaduais, depende do estado: algumas publicam o voto nominal, outras só em PDF de Diário Oficial, e em 11 estados não há registro público. A Bússola do Voto reuniu esse histórico para 888 candidatos com mandato.
Porque medem coisas diferentes. Questionários respondidos pelo próprio candidato comparam você com o que ele declara em campanha, e só com quem respondeu. A Bússola do Voto compara com como o parlamentar votou de fato, e, para quem não tem mandato, com a posição do partido. O número de temas também muda o resultado: quanto menos perguntas, menos precisão.
Não. É um projeto pessoal, sem fins lucrativos, sem recursos de campanha e sem vínculo com partido, candidato ou veículo de imprensa. Nenhum candidato paga, patrocina ou revisa o que aparece aqui.
Só no seu próprio navegador. Não há cadastro, cookies de rastreamento nem servidor recebendo respostas, e por isso ninguém, nem o autor do site, sabe o que você respondeu.
Candidato, partido ou pessoa citada que considere haver erro, desatualização ou injustiça na forma como aparece aqui pode escrever para [email protected]. Correções de fato são feitas assim que verificadas, e a manifestação de quem foi citado é publicada junto ao verbete.
Registros de candidatura do TSE (DivulgaCand) e votação por município e zona de 2022; Dados Abertos da Câmara dos Deputados; portais e diários oficiais das Assembleias Legislativas; planos de governo registrados no TSE; métricas públicas de posicionamento partidário e de frentes parlamentares. O método completo, com datas de coleta e critérios, está no fim da página do teste.
George A. Alvares, advogado, em projeto pessoal, sem vínculo com o escritório em que trabalha, com partido, candidato ou veículo de imprensa. A ferramenta é gratuita e continuará sendo.